Capítulo Um
É
a nova trilha sonora
Eu
poderia dançar nesta batida, batida
Para
todo o sempre
As
luzes estão tão brilhantes
Mas
elas nunca me segam
Taylor Swift – Welcome to New York
ESTOU
NO CENTRAL PARK.
Irreconhecível. Pelo menos era isso que eu esperava. Sempre que venho aqui para
ficar sentada curtindo o inverno nova-iorquino, penso nas inúmeras pessoas que
queriam estar no meu lugar. Tento me forçar a não ser ingrata. Não sou. Eu amo minha mãe e meu pai. Mas acho que eles são meio que uma das causas dos meus
problemas. É difícil ser filha de uma Rainha
do Pop.
Meus pais se chamam Camila e Guilherme.
Os nomes deles são bem esquisitos, mas é porque são brasileiros. Meu nome é Rose.
Bom, realmente não é fácil ter uma vida normal quando a sua mãe é uma cantora
famosa e seu pai é administrador de uma gravadora. Eles quase não passam tempo
comigo, mas eu entendo que eles fazem isso para me dar do bom e do melhor.
Eu me esforço para não ser ingrata, mas
é difícil ser adolescente quando todo o passo que você dá é vigiado por alguns
paparazzi. Eu só queria ir e voltar da escola normalmente. Viver uma vida
normal. Viver.
São quase cinco da tarde e eu ainda
estou curtindo um pseudo pôr do sol. Os prédios e o inverno não ajudam muito
minha visão. Hoje também é uma segunda-feira. Um dos melhores dias do ano talvez.
Fiz minha última prova e estou de férias. Sobrevivi mais um ano de High School. Só falta mais um. E depois
é estudar História da Arte em Georgetown.
MEU
CELULAR TOCA. É meu namorado
Augusto. Ele também é brasileiro. Estou cercado de Brasil. Ainda me lembro da
última vez que eu fui ao Brasil. Tinha oito anos. Não me lembro de quase nada.
Minha visita pouco o Brasil. Meus avós agora moram aqui em Nova Iorque.
- Alô! – atendo.
- Oi, minha princesa. Como você está? –
Augusto me pergunta.
- Estou ótima. – minto.
- Estou indo para sua casa para
comemorarmos o nosso dia. – ele comenta.
Gelo. Eu havia esquecido completamente.
Ando tão atarefada com trabalhos e a rotina de estudos. Além da escola, ainda
tenho inúmeras atividades extracurriculares. Balé; canto; piano; saxofone. Para
minha sorte, eu havia comprado um presente para o Augusto há um mês. Comprei
uma guitarra nova para ele. Augusto tinha uma banda com seus amigos.
- Te espero lá, amor. – digo. – Beijo.
- Um beijo. – ele diz e eu desligo.
Corro para o meu apartamento que é em
frente ao Central Park. Cumprimento o porteiro. Pego o elevador e vou para a
cobertura. Eu tinha sorte. Eu tinha seguranças, mas eu conseguia lhes convencer
a não ficarem perto de mim. E também os convencia a não usar aqueles horríveis
ternos pretos chamativos. Eles sempre passavam despercebidos. Então, se alguém
me visse no Central Park. Veria apenas uma garota de toca, cachecol, sobretudo
e óculos escuros pensando na vida.
Augusto não demorou a tocar a
campainha. Eu havia pendurado meu sobretudo e cachecol, colocado meus óculos em
uma gaveta dentro do meu closet e já
havia pego a guitarra que estava guardada há um mês no meu quarto e colocado-a
no sofá. Abro a porta animada e sou recebido com um selinho. Augusto está com
um envelope nas mãos.
- Feliz Aniversário, meu amor! – ele diz.
- Feliz Aniversário! – digo.
Era nosso primeiro ano de namoro. Eu o
conheci por causa das minhas aulas de balé. A mãe do Augusto é coreografa e o
obrigado a participar de todo tipo de dança, mesmo ele não levando o menor
jeito para nenhuma. Ele conseguia erra até uma simples valsa.
- Eu comprei aquela guitarra pra você. –
apontei para a guitarra que estava em cima do sofá. Ele ainda não tinha
percebido.
- UAU! – ele deu um grito eufórico. Ele
correu até a guitarra, a pegou com cuidado e ficou tateando-a. Parecia que ele
não estava acreditando que eu havia lhe dado. – Você comprou o modelo mais
atual da... – e disse o nome de uma marca que eu não fazia ideia da existência.
– Abra o seu, por favor!
Abri o envelope. Estava esperando uma
carta apaixonada ou uma foto emoldurada. Eu realmente não gosto de receber
presentes caros e ele sabe disso. A única coisa que eu não tenho pena de gastar é com viagens. Há algumas
folhas dentro do envelope. Dou minha atenção as letras e fico estupefata quando
me dou conta do que é.
Passagens aéreas. Passagens aéreas para
Paris. Eu dou um grito histérico e Augusto vem correndo me abraçar.
- Não pode ser verdade. Você não pode
ter feito isso comigo. Vamos passar duas semanas em PARIIIIIISSSSS. – grito dentro
do apartamento e fico pulando feito uma louca. – Você é o melhor namorado do
mundo. – eu o abraço e dou uma sequência de selinhos nele. – Obrigado. Muito
obrigado.
- Eu falei com meus pais e por eles
está tudo bem. – Augusto disse.
- Minha mãe vai deixar também. Ela
ganhou do papai uma viagem de um mês pra cá quando eles ainda moravam no
Brasil.
- Você já me contou isso. – Augusto
comentou.
- Sim. Meus pais têm uma história de
amor linda.
Recordo-me de tudo de bom dos meus
pais. Talvez eu não me esforce tanta para não ser ingrata.
-
NÃO! NÃO! E NÃO! – minha mãe
repetiu. Ela não parava de andar de um lado para o outro na sala. Meu pai
estava me consolando. E eu, chorando. Eu já havia me humilhado para ela, mas
ela não quis me escutar. Disse apenas que eu não iria para Paris com o Augusto,
que se eu quisesse ir pra Paris, iria com ela e com meu pai agora que estou de
férias e que o Guto era louco de comprar coisas caras para mim.
- O Guto gastou uma fortuna com passagens,
hotel, pacote. Eu vou pra Paris sim. E se a senhora não deixar, eu vou do mesmo
jeito e não vou mais. – gritei quando eu me levantei.
- Rose, vamos conversar. – meu pai
tentou me acalmar em vão.
Entrei cheia de raiva e tristeza ao
mesmo tempo no meu quarto. Todo o esforço do meu namorado tinha sido em vão.
Chorei, chorei, e chorei mais enquanto meu pai tentava me acalmar. Meu pai
ficou ali por um bom tempo até eu adormecer.
ACORDEI
FELIZ COM alguém me cantando
uma cantiga de ninar. Era minha mãe cantando. Sua linda e doce voz. Não tinha
como ficar com raiva dela.
- Desculpa, filha.
- Desculpa, mãe.
Abraçamos-nos.
- Você vai pra Paris, Rose.
- Sério, mãe?
Meus olhos brilharam de alegria. Eu
estava iria daqui há uma semana para Paris com meu namorado. Isso seria um
sonho.
- Sério, filha. É verdade. Rose, filha.
Eu te amo. Eu sei que posso não ser a mãe mais presente, a mãe que é a melhor
amiga. Mas saiba que eu te amo muito. Eu sei só fiquei nervosa porque eu tive
um dejavú. Você sabe muito bem que
quando eu e seu pai fizemos três anos de namoro, ele me deu uma viagem de um
mês para Nova York. Estávamos namorando, amando, apaixonados. Só que Nova York
sempre teve muitos brilhos, e um deles ofuscou nosso amor. Eu não quero que
você faça o mesmo. Você ama as artes. Paris é cheia de galerias e museus. Eu
não quero ser pessimista, nem ser vidente. Mas eu só quero que você decida bem
o que tem mais importância pra você. O amor da sua vida ou seus sonhos? Quem
você escolheria?
- O Augusto...
- Não me responda. – ela me
interrompeu. – Independente da sua escolha, eu vou apoiá-la. Só quero que você
seja sincera com você mesma.
As palavras da minha mãe me tocaram e
eu lhe dei mais um abraço. Um abraço caloroso e verdadeiro que há muito tempo
eu não sentia. Eu espero mesmo que eu não tenha que fazer a “escolha” que a
minha mãe. Na verdade, eu não nem ter opções. A única opção que eu quero é o
Guto.
Minha mãe saiu do quarto depois de um
tempo e eu liguei para o Guto.
- Oi, meu amor. – ele atendeu – O que
sua mãe disse?
- Bom... – disse parecendo desanimada.
- Ela não deixou, né?
- Pronto para nossa próxima viagem?








