terça-feira, 19 de maio de 2015

Supernova: O Encantador de Flechas - Renan Carvalho (Novas Páginas/Editora Novo Conceito)

Sabe quando você lê um livro que nenhum amigo seu conhece e você vira fã e acaba emprestando o livro pros seus amigos pra eles virarem fãs também? Bom, isso aconteceu comigo. E o livro foi Supernova: O Encantador de Flechas. "O Encantador de Flechas" é o livro 1 de uma futura série chamada de "Supernova". O mundo de Supernova é um mundo onde praticar magia é algo banal, porém, "O Encantador de Flechas" tem como cenário a cidade de Acigam, que está mergulhada numa implacável ditadura, e onde também o uso de magia é proibido. E é nessa cidade que encontra-se o protagonista da história: Leran... Ou apenas Le. Leran é um jovem de 16 anos que nasceu e cresceu em Acigam. Leran é uma das poucas pessoas que conhecem a "verdade" - e olha que ele não conhece quase nada. Leran vive com a mãe e a irmã, tem aulas de encantamento com seu avó - aulas escondidas, é claro! -, além de estar terminando o colégio. Em meio as confusões que todo adolescente tem em escolher uma carreira após o High School, um acontecimento visto por Leran vai marcá-lo para sempre.
O livro é escrito pelo fofo do Renan Carvalho - o autor mais lindo e gostoso do Brasil - e devo admitir que o Renan escreve muito bem. Eu gosto de dividir os autores que eu gostam em duas categorias: os que escrevem bem, e os que escrevem uma boa história. O fato é que o Renan se encaixa em ambas categorias. O livro é dividido em quatros partes e narrados em primeira pessoa em cada uma delas. Na Parte 1 temos a apresentação do mundo de Acigam, da Guilda - organização rebelde comandada pelos magos -, dos Silenciadores e de quase todo o cenário da história. Embora a Parte 1 seja uma apresentação do mundo distópico-fantástico que estamos adentrando, a leitura flui bem e não há as famosas "partes chatas do livro".
Já na Parte 2 é onde TUDO acontece. Eu fiz oito marcações no livro de coisas que eu achei importante, e SEIS foram na Parte 2. Nessa parte também foi aonde eu encontrei os piores pontos do livro. Eu sentia raiva de ler algumas páginas. Tentando sintetizar essa parte. O Leran, como a maioria dos garotos da sua idade, é muito infantil. A ação, revolução tá rolando solta, as pessoas estão matando e morrendo pelo o que elas acreditam e ele está ali como mero coadjuvante da história. Nessa parte, ele cumpre basicamente a função de narrar os fatos - e ser chato, é claro. Judra - sua namorada - o abandona deixando apenas uma carta e ele começa a chorar e dramatizar. Eu entendo que as pessoas ficam triste, mas o que me irritou foi a sua recuperação muito rápida. A transição do seu choro pelo abandono para um "seguir em frente" não durou nem 2 páginas completa. Ele se recupera fácil, não é? A sua narração em primeira pessoa torna-se massante e chata. "O Leran é chato" Entendam isso antes de ler. Eles faz comentários desnecessários e as cenas de ação dessa parte são confusas - por causa da narração em primeira pessoa.
Continuando na Parte 2, nós vemos já a transição do Leran. O Leran, como protagonista, acaba sendo o personagem mais importante da história. O Leran é um encantador de fogo, e mesmo ele não sendo o mais espetacular da Guilda, ele se destaca dos outros por uma categoria sua não-mágica: a inteligência. O leitor atento percebe nas entrelinhas a personalidade ainda escondida de nosso protagonista.
A Parte 3 do livro é a segunda melhor parte do livro. Diferente de todas as outras, ela não é narrada pelo Leran. Judra narra a história. Durante a leitura das partes 1 e 2, você cria várias suposições e especulações sobre intrigas, planos e traições, e acaba que você não recebe respostas porque o protagonista é muito lerdo pra perceber. Durante a leitura, pensei também em que uma narração em terceira pessoa, seria mais eficiente, mas durante a leitura da Parte 3, vi que a narração em primeira pessoa coube perfeita. Lê o ponto de vista de Judra, conhecer a sua história - que não foi contada nas outras partes -, além de ter acessos a informações de que Leran não sabia foi uma das coisas mais gostosas de ler. A Judra é uma personagem fantástica. Ela é forte e determinada. A moça uma hora ou outra deixa seu coração falar mais que a razão. Porém, ela aprenderá da pior forma que isso não é bom.
Chegando na parte 4 do livro que, COM CERTEZA É A MELHOR PARTE DA HISTÓRIA. Tudo na parte 4 é perfeito. Cenas de luta, segredos que desvendamos, e até a narração. Sim, o Leran DEIXOU DE SER CHATO. Abrindo um parênteses, eu adoro quando o personagem evolui durante a história e isso acontece com o Leran. Ele deixa sua infantilidade de lado e torna-se realmente um "homem". Le se torna muito maduro para a sua idade e ele acabou ganhando a minha simpatia depois disso. Ele disse uma frase que eu marquei no meu livro porque ela comprovava a minha dedução.
"- Você só esqueceu de uma coisa, Milo - digo, com muita firmeza. - Eu não sou mais um garoto".
Eu já havia percebido a mudança do nosso herói desde o primeiro capítulo da parte 4, mas só pude ter a certeza depois de ler essa frase. E tem mais, há muitos, mais muitos traidores - e personagens mortos - nesse livro. Não se apegue a ninguém. Também já adianto pra você, leitor, não tentar ser justo. Alguns personagens vão ser injustiçados durante a história. Isso é uma distopia, afinal!
Com uma escrita fantástica, trabalho editorial quase impecável(há alguns erros gramaticais, culpa da revisão), e com ilustrações maravilhosas, Supernova: O Encantador de Flechas é uma ótima leitura para leitores de distopia e fantasia que procuram um novo livro pra criar um fandom. Eu já estou tentando criar o meu na minha cidade. Sou um encantador das Trevas, além de algumas habilidades com a água. Renan Carvalho está de parabéns e seu livro recebe  porque sim, é muuuuuito bom.

Caso queiram conhecer um pouco mais sobre o mundo e sobre o autor, acessem: http://www.renancarvalho.net.br/