Sabe
quando você lê um livro que nenhum amigo seu conhece e você vira fã e acaba
emprestando o livro pros seus amigos pra eles virarem fãs também? Bom, isso
aconteceu comigo. E o livro foi Supernova:
O Encantador de Flechas. "O Encantador de Flechas" é o livro 1 de
uma futura série chamada de "Supernova". O mundo de Supernova é um
mundo onde praticar magia é algo banal, porém, "O Encantador de
Flechas" tem como cenário a cidade de Acigam, que está mergulhada numa
implacável ditadura, e onde também o uso de magia é proibido. E é nessa cidade
que encontra-se o protagonista da história: Leran... Ou apenas Le. Leran é um
jovem de 16 anos que nasceu e cresceu em Acigam. Leran é uma das poucas pessoas
que conhecem a "verdade" - e olha que ele não conhece quase nada. Leran
vive com a mãe e a irmã, tem aulas de encantamento com seu avó - aulas
escondidas, é claro! -, além de estar terminando o colégio. Em meio as
confusões que todo adolescente tem em escolher uma carreira após o High School, um acontecimento visto por
Leran vai marcá-lo para sempre.
O
livro é escrito pelo fofo do Renan
Carvalho - o autor mais lindo e gostoso do Brasil - e devo admitir
que o Renan escreve muito bem. Eu gosto de dividir os autores que eu gostam em
duas categorias: os que escrevem bem, e os que escrevem uma boa história. O
fato é que o Renan se encaixa em ambas categorias. O livro é dividido em
quatros partes e narrados em primeira pessoa em cada uma delas. Na Parte 1
temos a apresentação do mundo de Acigam, da Guilda - organização rebelde
comandada pelos magos -, dos Silenciadores e de quase todo o cenário da
história. Embora a Parte 1 seja uma apresentação do mundo distópico-fantástico
que estamos adentrando, a leitura flui bem e não há as famosas "partes
chatas do livro".
Já
na Parte 2 é onde TUDO acontece. Eu fiz oito marcações no livro de coisas que
eu achei importante, e SEIS foram na Parte 2. Nessa parte também foi aonde eu
encontrei os piores pontos do livro. Eu sentia raiva de ler algumas páginas. Tentando
sintetizar essa parte. O Leran, como a maioria dos garotos da sua idade, é
muito infantil. A ação, revolução tá rolando solta, as pessoas estão matando e
morrendo pelo o que elas acreditam e ele está ali como mero coadjuvante da
história. Nessa parte, ele cumpre basicamente a função de narrar os fatos - e ser chato, é claro. Judra - sua
namorada - o abandona deixando apenas uma carta e ele começa a chorar e
dramatizar. Eu entendo que as pessoas ficam triste, mas o que me irritou foi a
sua recuperação muito rápida. A transição do seu choro pelo abandono para um
"seguir em frente" não durou nem 2 páginas completa. Ele se recupera fácil, não é? A sua
narração em primeira pessoa torna-se massante e chata. "O Leran é chato"
Entendam isso antes de ler. Eles faz comentários desnecessários e as cenas de
ação dessa parte são confusas - por causa da narração em primeira pessoa.
Continuando
na Parte 2, nós vemos já a transição do Leran. O Leran, como protagonista,
acaba sendo o personagem mais importante da história. O Leran é um encantador
de fogo, e mesmo ele não sendo o mais espetacular da Guilda, ele se destaca dos
outros por uma categoria sua não-mágica: a inteligência. O leitor atento
percebe nas entrelinhas a personalidade ainda escondida de nosso protagonista.
A
Parte 3 do livro é a segunda melhor parte do livro. Diferente de todas as
outras, ela não é narrada pelo Leran. Judra narra a história. Durante a leitura
das partes 1 e 2, você cria várias suposições e especulações sobre intrigas,
planos e traições, e acaba que você não recebe respostas porque o protagonista
é muito lerdo pra perceber. Durante a leitura, pensei também em que uma
narração em terceira pessoa, seria mais eficiente, mas durante a leitura da
Parte 3, vi que a narração em primeira pessoa coube perfeita. Lê o ponto de
vista de Judra, conhecer a sua história - que não foi contada nas outras partes
-, além de ter acessos a informações de que Leran não sabia foi uma das coisas
mais gostosas de ler. A Judra é uma personagem fantástica. Ela é forte e
determinada. A moça uma hora ou outra deixa seu coração falar mais que a razão.
Porém, ela aprenderá da pior forma que isso não é bom.
Chegando
na parte 4 do livro que, COM CERTEZA É A MELHOR PARTE DA HISTÓRIA. Tudo na
parte 4 é perfeito. Cenas de luta, segredos que desvendamos, e até a narração.
Sim, o Leran DEIXOU DE SER CHATO. Abrindo um parênteses, eu adoro quando o
personagem evolui durante a história e isso acontece com o Leran. Ele deixa sua
infantilidade de lado e torna-se realmente um "homem". Le se torna
muito maduro para a sua idade e ele acabou ganhando a minha simpatia depois
disso. Ele disse uma frase que eu marquei no meu livro porque ela comprovava a
minha dedução.
"- Você
só esqueceu de uma coisa, Milo - digo, com muita firmeza. - Eu não sou mais um
garoto".
Eu
já havia percebido a mudança do nosso herói desde o primeiro capítulo da parte
4, mas só pude ter a certeza depois de ler essa frase. E tem mais, há muitos,
mais muitos traidores - e personagens mortos - nesse livro. Não se apegue a ninguém.
Também já adianto pra você, leitor, não tentar ser justo. Alguns personagens
vão ser injustiçados durante a história. Isso é uma distopia, afinal!
Com
uma escrita fantástica, trabalho editorial quase impecável(há alguns erros
gramaticais, culpa da revisão), e com ilustrações maravilhosas, Supernova: O
Encantador de Flechas é uma ótima leitura para leitores de distopia e fantasia
que procuram um novo livro pra criar um fandom. Eu já estou tentando criar o
meu na minha cidade. Sou um encantador das Trevas, além de algumas habilidades
com a água. Renan Carvalho está de parabéns e seu livro recebe ★★★★★ porque
sim, é muuuuuito bom.
Caso
queiram conhecer um pouco mais sobre o mundo e sobre o autor, acessem: http://www.renancarvalho.net.br/

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